Ser mulher é tão complicado que até pronunciar o nome da nossa genitália se torna uma tarefa árdua. Já pararam para pensar sobre o quão ridículas são as nomenclaturas dadas à... à... então, a isso aqui, aqui embaixo.
Todas as nomenclaturas para o pênis são legais. Do pinto à pica. Caralho, por exemplo, de tão trivial que é até virou advérbio de intensidade. E o pênis de criança? Pintinho. Piu-Piu. Peru aka Piru. Piroca é engraçado, mas lembra, sei lá, paçoca, e perde-se o caráter ofensivo. Rola, no entanto, eu não gosto. É coisa de homem sem educação. Mas também não me ofende. O próprio nome correto, pênis, tem uma sonoridade interessante.
Mas e nós, mulheres? Os homens podem usar tantos sinônimos legais para o pinto, enquanto a gente luta para conseguir achar a palavra vagina normal. Porque, convenhamos, vagina é uma palavra estranha. No meu mundo perfeito, eu a nomearia de vulva e pronto. Já se fala em “depilação da vulva”, “piercing na vulva”... Pronto. O nome correto seria vulva e nunca mais ninguém no mundo pronunciaria a palavra vagina.
Aceitando a idéia de que vag... seria VULVA, hora então de arrumar apelidos para ela. Abomino, do fundo da minha vulva, a palavra perereca. Pronuncio perereca quando o momento é de zoação. Entre amigos. Ultimamente se transformou no meu xingamento predileto. Mas para usar perereca assim, como sendo algo sério, não consigo.
As piores denominações são aquelas com a letra xis. Xota, xana e xoxota, por exemplo, tenho nojo. Muito nojo. Isso é vocábulo de punheteiro que procura pornografia na internet. Piriquita, por sua vez, é a versão simpática de perereca. Ela é usada quando você não está tão a vontade para escancarar uma perereca na frente de todo mundo, não quer ser séria o bastante para dizer vagina, nem é baixa a ponto de pronunciar um dos apelidos escritos com xis.
Tão popular quanto a perereca, só a buce (minha mãe não deixou eu escrever tudo). Virou um dos principais palavrões do Brasil com direito a verbete no dicionário. Mas o sentido genital da palavra sempre fica em segundo plano, já que buce(mããaeeee!!) exprime o auge da raiva. Tipo, quando não há outro palavrão que consiga resumir aquele sentimento de ódio que assola nosso peito, soltamos um BU-CEEEEEEEEEEEEEEEEEE...
Quando eu fazia cursinho pré-vestibular, tinha uma professora de Biologia que, ao dar aula sobre o, na época, aparelho reprodutor (agora mudaram o sufixo para “dutório), nos soltou: “agora o bililiu é introduzido na Maria Goretti”. Eis que surge, em minha vida, o melhor apelido para a vulva: Maria Goretti.
Lidar bem com as denominações da genitália feminina é um tabu tão “tabuzado” que ninguém nem comenta deste tabu. Oi? Compliquei, né? Mas fico me perguntando: os nomes são realmente estranhos? Será que somos tão pudicas para ter orgulho de gritar ‘eu tenho perereca’? Ou será que o problema é só entre e eu e minha... minha... isso aqui.